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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dialogos Infames 2

Sai pra dar uma corridinha no fim da tarde eis que uma moça me para e pergunta:

Moça :
- Tem horas?
Eu:
- As horas são uma forma de abstração de um tempo desnaturalizado pelo homem.
Moça :
-Ah?!
Eu:
- O tempo pertence a Deus para os crentes e a ninguém para os ateus, logo, cada um tem o seu. Assim sendo o tempo não pode ser ponderado por ser subjetivo, isso sem levarmos em conta a teoria da relatividade...
Moça :
- Sabe que horas são? preciso pegar o ônibus.
Eu:
-Desculpe, sai pra correr sem relógio.

(fui chata?!)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre Saramago

Terminei de ler dois polêmicos livros do meu mais recente herói morto José Saramago, os famigerados O Evangelho Segundo Jesus Cristo e o derradeiro Caim. Ambos recontam, sob a visão do português, os mais populares livros da bíblia os evangelhos e o Genesis, este último que recentemente foi ilustrado por Robert Crumb, mais isso fica pra outro post.

Usemos a ordem cronológica que é sempre mais fácil de ser acompanhada. Sobre o Evangelho, acho que todo mundo crucificou-o por pouca coisa, peço perdão pelo trocadilho, mas quem se escandalizou com ele nem chegou a abri-lo para espiar o que lá havia apenas se ateve ao título. Concordo que algumas coisas que ali estão, chocam: tudo bem a Maria não concebeu virgem, está bem Jesus amasiou com a Maria de Magdala, mas nada disso abala a essência da mensagem que está no novo testamento, pois ainda mostra o cristo que é amor, redenção, fé e luta, porém mais humano.

Por ironia posta por ele ou pelo destino, agora que ele se foi jamais saberemos, o seu livro mais famoso é o mais fraco, possui trechos memoráveis como: a reflexão sobre tempo/memória, a não ressurreição de Lázaro e a conversa entre Deus, o Diabo e Jesus. Porém pareceu-me que após os quarenta dias de reclusão de Jesus no mar, não no deserto, o texto perdeu fôlego e foi meio corrido e sôfrego até o fim.

Em Caim, ainda vemos o mesmo Deus insatisfeito como em O Evangelho, entretanto um Deus mais saramagueano, mal e pérfido. Nesse texto vemos nosso herói fratricida vagar pelos mais significativos acontecimentos do livro de Genesis, excetuando-se o Éden e a expulsão de seus pais de lá; a narrativa percorre um tempo espaço outro em que Caim está em todos os tempos, porém não pertence a nenhum, sempre acompanhado pela figura de Deus que está presente para trazer morte e destruição.

No derradeiro livro, vemos mais uma vez Saramago apedrejar Deus. Nosso velho lusitano nunca entendeu como era possível existir Deus e a dor do mundo, ele a sentia isso é nítido desde seu primeiro romance O Levantado do Chão ou ainda no mais popular Ensaio Sobre a Cegueira. Contudo incutido em seus ideais comunistas e humanitários vemos grandes lições de teologia e amor cristão, coisa que muitos cristãos nunca puderam ou um dia poderão ensinar, ou seja, quem muito julga o ateísmo de Saramago nunca parou para lê-lo e compreende-lo.

Enfim, a morte dele chateou-me muito, porque eu realmente o admirava. Ele sem sombra de dúvida está ao lado de Camões, Pessoa e Gil Vicente no panteão dos escritores lusos, mais um Dom Sebastião que Portugal perdeu.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Parafraseando

Estou hoje vencida,
como se não soubesse a verdade
Estou hoje lúcida,
como quem olha o amanhã sem esperanças
Estou hoje exausta,
como se a morte tivesse me alcançado
...

Estou hoje perplexa,
como quem se esqueceu da epifania que teve pela manhã
Estou hoje dividida
entre os sonhos quebrantados de hoje
e a dura realidade de amanhã.
...

Hoje sinto que
Falhei em tudo.
mas tenho serenidade, pois
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
Como se o tudo, fosse um nada possível.


Leia um texto de verdade aqui.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Babel

Se um dia pudesse realizar um desses desejos que nos passam a cabeça desejaria restaurar o mundo antes da torre de babel. Não pela obra arquitetônica que essa era a coisa de menos importância nesse ocorrido, apenas queria restaurar o idioma único.

Não apenas no falar mas no entender, uma nova forma do verbo, sem brechas para o desentendimento das expressões entre falante e ouvinte, uma comunicação onde as intenções do enunciador fossem entendidas de antemão.

As ambiguidades, por mais que me sejam caras em algumas construções linguisticas, mais confundem que esclarecem, essas só apareceriam quando desejadas, os hermetismos, resguardemos pois, afinal o donos dos segredos que os guardem como quiserem. Uma vez que a incompreenção é uma forma de isolamento.

Apenas desejo uma língua onde as brincadeiras e deboches são entendidos como foram concebidos no coração do interlocutor, sem causar ressentimentos ou angustias pela falta de compreensão tanto nos que tentam ser ouvidos quanto nos que tentam ouvir.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Correria

A correria vem nos engolindo vivos
tentamos desesperadamente
desacelerar
mas aí, corremos ainda mais
para poder parar

segunda-feira, 22 de março de 2010

#bonsmotivospromundoacabar

Luísa deitou-se no chão, repassou mentalmente o dia e achou que sua vida era monótona. Pensou em todas as escolhas que fizera na vida e achou tudo pálido. De súbito sentiu algo completamente inesperado, naquele minuto sentiu que havia muito de si em si mesma, precisava extravasar-se, precisava correr a rua e contar a todos o quão medíocre era e como isso a amarrava. Precisava, mas permaneceu deitada.

Queria libertar-se! Sentia que podia, pela primeira vez, dominar o mundo que a subjugava que a confinava em sua mediocridade, tornar-se soberana dele, mas não podia. O chão a atraia como se a gravidade fosse a de Júpiter, continuou deitada. A epifania passou e nada aconteceu, sentiu-se mais uma vez a prisioneira da guerra de todos os dias. Levantou-se tomou banho, jantou, leu cinco páginas de um livro e deitou-se. Seu ultimo pensamento, já meio obscuro pelo sono, foi: Amanhã é só outro dia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Devaneios sobre a pasta

Os momentos agora
vivem em fotos
que não envelhecem,
por um lado isso é bom
o tempo não passa pra eles

O tempo agora
só apaga as cores
em minha mente, na foto,
elas ainda são vivas

Sinto que os momentos
estão cada vez mais longe
mas ainda sim, olho para eles
com a maior felicidade do mundo

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Uma noite qualquer...

Fomos ao bar jogar sinuca e comer uma pizza essa noite, como de costume coloco sobre o balcão as moedas com que pago minha parte da conta. A balconista simpática agradece pelo troco, algumas reclamam. Na saída avistamos uma colega de turma, com sua carta e carro importado novos em folha; ainda me espanto com isso, já deveria ter me acostumado.

Andamos pelo Campus que começa a apagar as luzes, nos sentamos na pracinha e conversamos sobre o carro da colega, grana, namorado, outros colegas, a faculdade, enfim sobre tristezas e alegrias da vida. Rimos, choramos e por um momento somos felizes em meio ao frio, já é uma da manhã.

Embora estude no centro, moro no bairro. Saio da faculdade e conforme me afasto do centro vejo uma cidade vazia de pessoas e carros, sinto o forte contraste entre o automóvel da colega e os estacionados nas ruas próximas a minha casa. Faço a transição entre a “cidade” universitária e a real todos os dias.

A cidade é de porte médio. Problemas de cidade grande, ares de cidade do interior; um lugar que hora me pertence hora me escapa. Acho que de tanto me deslocar entre extremos, algumas vezes, perco a referência de onde é meu lugar. Meu e de alguns outros amigos que estão, mas não fazem parte, da elite da elite da elite do país, com em certa feita nos disse uma professora. Realmente a elite está aqui, mas não intelectual como eu sonhará um dia.

Chego em casa quase uma e meia da manhã, pensei muito no caminho. Repassei mentalmente toda a noite: o bar, o rápido encontro com a colega de turma, a longa conversa, meus próprios pensamentos que ficaram pelo caminho entre o sublimado e o real, por incrível que pareça ainda me espanto com isso, já deveria ter me acostumado.


Embora esteja numa semana de insônia, estou cansada. Depois reescrevo isso.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Poesia incidental

as vezes minhas angustias
vem corroer-me
apagando o brilho
pouco a pouco

tornando as alegrias esparsas
fazendo do riso, apenas mascara
que oculta o sofrimento de todo dia

as vezes me sinto assim
triste sem ter motivo
viva por pouco

(tem dias que acordo meio desanimada...)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"O sertão é o universo*"

O universo cabe em uma representação? Meu sertão é tão árido e delimitado a esse ponto? Foram as perguntas que saltaram-me a mente quando o professor colou esse texto na lousa.

O que sabemos e somos é tão vasto quanto nossa dimensão de ser, quanto mais se tem consciência do viver mais pleno ele se torna, em contraponto o que o realmente sabemos sobre nós e sobre o mundo?

A grandeza do mundo é infinita embora o tamanho deste seja limitado, explico, o mundo é intelígivel ao homem em sua plenitude, uma vez que não se pode sentir, respirar e entender o mundo em sua "inteireza", este nunca poderá ser representado; ainda mais pelo pobre espírito humano que nunca deixa de enviesar os olhos pelo pensamento.

Alias a grandeza do pensamento humano é comparável a do universo. Tudo que pensamos em apenas um dia, se fosse quantificado, representado ou escrito, chegaria quase ao infinito. Se nem ao menos consegue-se assimilar o sentido e o pensado criados por nós mesmos em um dia, o mundo será um eterno enigma pois nunca o compreenderemos por completo.

Por mais que conheçamos nosso sertão ele sempre será infinito e novo a cada olhar e por isso nunca algo maior que o observador, pois ele sempre o renova com pensamentos e sentimentos novos em relação ao redor, daí a representação do mundo pelo homem ser ele mesmo.

* Frase de João Guimarães Rosa.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sobre a amizade...

Os amigos são coisas curiosas, tenho grandes amigos que não me lembro nem onde, quando ou como os conheci. Parece que esses simplesmente apareceram para fazer parte da vida e não importa o tempo sem contato, os sentimentos são sempre iguais. Por exemplo: fazia meses que não falava com uma amiga encontramo-nos por acaso e apesar das muitas novidades conversavamos e riamos como quando nos viamos todos os dias.

Sem entrar em clichês de livros de auto-ajuda ou algo que o valha, os amigos realmente são pessoas especiais e é sempre essecial lembrar que somos nós por nos mesmos.

Quero que meus amigos saibam
que os amo muito. Independente da vida maluca que temos, com horários e rumos que seguem em sentidos opostos, que sempre serão muito especiais e queridos para mim. Não vou colocar os nomes, mas espero que os envolvidos entendam o recado. Beijo!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Devaneio sobre a mudança

Sempre tive muitas inquietações e anseios. Impressiona-me a fascilidade de pessoas em serem estáticas, para elas a mudança é sempre algo que deve ser temido, combatido a todo custo.

Talvez seja este o motivo da obsessão pela juventude, o problema maior não é envelhecer é mudar.

O desejo por algo difícil de conseguir será este? Pois se é difícil dá mais trabalho, se der trabalho todos vão entender o porquê de não se ir atrás. E se nunca for atrás, nada muda.

Sou também covarde. Uma vez que desejo a mudança e atormento-me em saber se tudo será melhor ou se é apenas mais um devaneio insólito...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sobre o natal

Acho o natal uma festa muito esquisita, começa pela estranha febre de "bom moço" que recai sobre todos, passa pelo desperdício de energia elétrica com várias luzes inúteis e termina na "noite feliz".
Meu dialogo imaginário com quem inventou o natal:


Para que servem todas as lâmpadas e enfeites e por que nunca vi uma araucária como árvore de natal?
Servem para aquecer a economia. Árvore, papai noel e boneco de neve não são coisas para os trópicos...

É por causa das luzes que fazemos horário de verão?
Não sei.

Por que dar presentes a todos?
Estratégia do comércio, é importante vender mais.

Por que devemos ser boas pessoas no natal?
Porque se no natal as pessoas não forem boas e generosas a economia não gira.

Existem pessoas que valorizam o natal por sua relação com fé em cristo?
Sim, mas são raras e geralmente não se identificam com o resto.

Se somos ruins o ano todo, porque não manter a coerência e ser como somos também no natal?
Porque coerência não é uma qualidade natural do homem. É mais bem visto ser "bonzinho' no natal do que o ano todo, todos se lembram de como você ajudou as crianças necessitadas e comprou um presente caro no seu amigo secreto.

A desigualdade só existe no natal?
Não, mas no resto do ano ninguém está no espírito de ajudar então quase não se nota.

E essas doações e todo o espírito solidário ajudam a resolver algum problema?
Sim e não, no dia de natal ninguém passa frio ou fome, mas depois...

Por que só podemos comer depois da meia-noite?
Para quando finalmente comer estar morrendo de fome e assim consumir mais. Já disse a economia...

Jesus nasceu dia 25 de Dezembro ou essa data foi escolhida para ficar perto do ano novo de propósito?
A coca-cola disse que seria bom para o marketing.

A última. Se Jesus nasce em Dezembro e morre em Abril, ficamos o restante do ano desamparados?
Veja bem...

Caso alguém tenha outra pergunta deixe nas colaborações. Obrigada.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Calmaria...

Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Feitos de que?

De que são feitos os sonhos?

Será que das idéias mirabolantes,
dos desejos ou talvez o anseio
pelo fim das angústias?

A realidade, é feita de que?

De brutalidades, desilusões,
ou apenas
do desejo estupido de ser?

Do que somos feitos?

Carne, sensações e ossos
ou simplesmente
de sonhos e realidades
combinados em proporções estranhas?

E tudo isso, para quê?


( Avisei que esse lugar seria estranho! rs )

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Idioma

Acho que poucos já pararam para pensar em como é sonoro e belo nosso idioma, em como há palavras que podem expressar quase todos os sentimentos, em como somente os falantes do português (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e em cerca de outros 18 países) conhecem a saudade, em como somos e estamos em diferentes tempos verbais e conhecemos o masculino e feminino em todas suas nuances.


Sou feliz por ter nascido no Brasil pois essa terra, apesar de seus muitos problemas, me proporcionou algo que talvez nenhuma outra poderia: conhecer em seu berço lingüístico autores como Machado de Assis, Padre Antônio Vieira, Augusto dos Anjos, João Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Clarisse Lispector, José Saramago, Fernando Pessoa entre muitos outros.


E por mais que seja “new” cantar em inglês, “élégant” ler poemas em francês e “vergnügt” dizer xingamentos em alemão, nunca outra língua será tão completa como a nossa.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda sobre a individualidade

Sábado à tarde, o filho sai do quarto para tomar água e o pai lhe fala:


Você não pode ficar tanto tempo dentro de casa; tem de ir para a rua, ver o movimento, as pessoas, andar por aí, conversar com outras pessoas.


Por quê?


Porque se ficar sempre com as mesmas pessoas, será considerado um chato que não conversa, antipático e que se acha melhor que os outros.


Não gosto de conversar com qualquer pessoa, não me considero melhor, apenas diferente. Não preciso que todos gostem de mim, só preciso que as pessoas de que gosto saibam disso e que se quiserem gostem de mim também. Não me importo com o que pensam a meu respeito.


Não se importa que as pessoas não gostem de você?


Não. Só me importo com as pessoas de que gosto.


Claro que se importa! Eu sei que se importa, ninguém é feliz sabendo que não é querido por todos!


Eu não ligo. Alias quero que as pessoas de que não gosto saibam disso, para que não gostem de mim também, assim nunca preciso falar com elas.


Você é muito teimoso!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sobre a individualidade

Ante-sala do consultório, senhoras conversam:


Meus filhos teêm-me dado um trabalho! Um vive perdendo o emprego, depois que terminou o colégio não quis mais saber de estudar, o pai queria tanto que ele fosse engenheiro. Ele acha que vai poder morar conosco até os trinta anos. O outro nunca pára em casa, quando está fica o tempo todo trancado no quarto estudando, não conversa, nunca me conta nada é como se ele nem estivesse lá.


E o meu então, não quer assumir o meu neto. É verdade que ele sempre manda o dinheiro da pensão, mas tem que gostar da criança, levá-lo em casa para eu ver como ele está. Também, a moça é uma paspalha não conseguiu fazê-lo casar, quando engravidei casei antes mesmo da barriga começar a aparecer.


Eu depois que casei demorei cinco anos para ter a minha, ela chorou até o sexto mês sem parar. Agora que está na escola, não gosta de estudar, fica cantando aquelas músicas horrorosas, vive comendo doces, está ficando cada vez mais gorda. Quando chegar a adolescência não sei como vai ser.


Entra uma moça com ar jovial, elas a escutam conversar com a recepcionista:


Seus exames pré-operatórios chegaram, poderá marcar para qualquer dia dessa semana.


Que ótimo, vou aguardar. Obrigada.


A senhora mais velha, e por isso com maior permissão social, senta-se ao lado da moça que acabará de chegar e lhe pergunta:


Puxa, uma moça tão jovem. Vai operar por que?


Obrigada pelo tão jovem. Agora que já passei dos trinta vou fazer esterilização.


E quantos filhos têm?


Nenhum. E nem eu ou meu marido desejamos, somos muito felizes só nós. Caso um dia mudemos de idéia preferimos adotar uma criança.


Que absurdo! Eu sei que você quer ter, converse com seu marido. Nenhum casal é feliz sem filhos, eles são a materialização do amor do casal. Você nunca será feliz se não der um ao seu marido!


Eu já sou feliz, não vejo motivos para colocar mais uma criança nesse mundo. Acho um projeto muito egoísta. Vou ter um filho para moldá-lo a minha forma? Projetar meus sonhos frustrados sobre ele? Não vou além de detonar meu corpo esperar que ele saía de casa para ter paz novamente.


A senhora levanta-se vermelha e volta para o grupo de onde saiu. A moça ri discretamente.


Vocês viram isso! Onde já se viu ser casada e não querer ter filhos, egoísmo é não querer gerar uma criança. Eu jamais seria feliz sem os meus meninos, eles são a melhor coisa que me aconteceu.


As outras concordam, porém pensam se seria melhor não terem tido os filhos.