quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Calmaria...
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
XXI
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra toda fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Retirado de: Poesia Completa de Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa. - São Paulo: Companhia das Letras. 2005
Esse é meu poema favorito de "O guardador de rebanhos" de Alberto Caeiro heterônimo de Fernando Pessoa.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
O blog do português
Os dogmas mais nocivos nem sequer são os que como tal foram expressamente enunciados, como é o caso dos dogmas religiosos, porque estes apelam à fé, e a fé não sabe nem pode discutir-se a si mesma. O mal é que se tenha transformado em dogma laico o que, por sua própria natureza, nunca aspirou a tal. Marx, por exemplo, não dogmatizou, mas logo não faltaram pseudo-marxistas para converter O Capital em outra bíblia, trocando o pensamento activo pela glosa estéril ou pela interpretação viciosa. Viu-se o que aconteceu. Um dia, se formos capazes de desfazer-nos dos antigos e férreos moldes, da pele velha que não nos deixou crescer, voltaremos a encontrar-nos com Marx: talvez uma “releitura marxista” do marxismo nos ajude a abrir caminhos mais generosos ao acto de pensar. Que terá que começar por procurar resposta à pergunta fundamental: “Por que penso como penso?” Com outras palavras: “Que é a ideologia?” Parecem perguntas de pouca monta e não creio que haja outras mais importantes…
Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Feitos de que?
De que são feitos os sonhos?
Será que das idéias mirabolantes,
dos desejos ou talvez o anseio
pelo fim das angústias?
A realidade, é feita de que?
De brutalidades, desilusões,
ou apenas
do desejo estupido de ser?
Do que somos feitos?
Carne, sensações e ossos
ou simplesmente
de sonhos e realidades
combinados em proporções estranhas?
E tudo isso, para quê?
( Avisei que esse lugar seria estranho! rs )
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Viva o Zé!
Nessa entrevista José Mojica nos contou sobre seu amor pelo cinema, em especial o de terror, sobre como fez seu primeiro filme aos 10 anos de idade (!) e de como foi dura sua vida fazendo cinema: a dificuldade em conseguir investimento, o desperdício dos novos talentos, o desdém de governantes para com a sétima arte, as dificuldades técnicas de outrora, em como ele preferiu utilizar nesse longa os "efeitos reais" como ele chama (as baratas e a cena da atriz saindo de dentro de um porco são feitas sem efeitos computacionais), seus novos projetos, enfim um pouco sobre os 60 anos de alegrias e sofrimento em prol do cinema no país. (Fiquei impressionada em como um homem com 72 anos ainda tem tanta energia e vivacidade!)
Após a entrevista houve um coctel à moda Zé do Caixão com pães em forma de corpos ensanguentados, doces em forma de vermes e garçons com uniformes sujos e maquiagem macabra, tudo muito interessante e pitoresco. Coloquei-me a pensar em como, finalmente, depois de todos os sacrifícios, o homem é reconhecido nacional e internacionalmente ainda em vida pelo seu grande trabalho como diretor, produtor e roteirista. Fiquei com a pergunta na cabeça: Será que a postura do Brasil está mudando?
domingo, 16 de novembro de 2008
O contador antropomórfico
"A diferença entre os surrealistas e eu, é que eu sou surrealista."
Salvador Dalí Salvador Dalí Salvador Dalí Salvador Dalí
Achei isso um pouco (muito) arrogante quando li na capa interna do livro sobre Salvador Dali que ganhei, porém feita à leitura descobri que era verdade.
Em outra ocasião (depois de ler mais sobre o assunto) escrevo um texto sobre ele, por hora quero falar sobre a gravura que escolhi para ser a cara de meu blog.
“O contador antropomórfico”, 1936. As gavetas do inconsiente segundo as teorias do bom doutor Freud. São espécies de alegorias da psicanálise, que ilustram uma tendência para aspirarmos o odor narcísico de cada uma de nossas gavetas.
Por mais que isso pareça loucura, todos temos de escavar nossas gavetas.
Texto destacado foi retirado do livro "Salvador Dalí" da editora Taschen.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Idioma
Acho que poucos já pararam para pensar em como é sonoro e belo nosso idioma, em como há palavras que podem expressar quase todos os sentimentos, em como somente os falantes do português (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e em cerca de outros 18 países) conhecem a saudade, em como somos e estamos em diferentes tempos verbais e conhecemos o masculino e feminino em todas suas nuances.
Sou feliz por ter nascido no Brasil pois essa terra, apesar de seus muitos problemas, me proporcionou algo que talvez nenhuma outra poderia: conhecer em seu berço lingüístico autores como Machado de Assis, Padre Antônio Vieira, Augusto dos Anjos, João Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Clarisse Lispector, José Saramago, Fernando Pessoa entre muitos outros.
E por mais que seja “new” cantar em inglês, “élégant” ler poemas em francês e “vergnügt” dizer xingamentos em alemão, nunca outra língua será tão completa como a nossa.
