quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Devaneio sobre a mudança
Talvez seja este o motivo da obsessão pela juventude, o problema maior não é envelhecer é mudar.
O desejo por algo difícil de conseguir será este? Pois se é difícil dá mais trabalho, se der trabalho todos vão entender o porquê de não se ir atrás. E se nunca for atrás, nada muda.
Sou também covarde. Uma vez que desejo a mudança e atormento-me em saber se tudo será melhor ou se é apenas mais um devaneio insólito...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Sobre o natal
Meu dialogo imaginário com quem inventou o natal:
Para que servem todas as lâmpadas e enfeites e por que nunca vi uma araucária como árvore de natal?
Servem para aquecer a economia. Árvore, papai noel e boneco de neve não são coisas para os trópicos...
É por causa das luzes que fazemos horário de verão?
Não sei.
Por que dar presentes a todos?
Estratégia do comércio, é importante vender mais.
Por que devemos ser boas pessoas no natal?
Porque se no natal as pessoas não forem boas e generosas a economia não gira.
Existem pessoas que valorizam o natal por sua relação com fé em cristo?
Sim, mas são raras e geralmente não se identificam com o resto.
Se somos ruins o ano todo, porque não manter a coerência e ser como somos também no natal?
Porque coerência não é uma qualidade natural do homem. É mais bem visto ser "bonzinho' no natal do que o ano todo, todos se lembram de como você ajudou as crianças necessitadas e comprou um presente caro no seu amigo secreto.
A desigualdade só existe no natal?
Não, mas no resto do ano ninguém está no espírito de ajudar então quase não se nota.
E essas doações e todo o espírito solidário ajudam a resolver algum problema?
Sim e não, no dia de natal ninguém passa frio ou fome, mas depois...
Por que só podemos comer depois da meia-noite?
Para quando finalmente comer estar morrendo de fome e assim consumir mais. Já disse a economia...
Jesus nasceu dia 25 de Dezembro ou essa data foi escolhida para ficar perto do ano novo de propósito?
A coca-cola disse que seria bom para o marketing.
A última. Se Jesus nasce em Dezembro e morre em Abril, ficamos o restante do ano desamparados?
Veja bem...
Caso alguém tenha outra pergunta deixe nas colaborações. Obrigada.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Calmaria...
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
Tudo está freneticamente calmo como se uma tempestade fosse desabar
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
XXI
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra toda fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Retirado de: Poesia Completa de Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa. - São Paulo: Companhia das Letras. 2005
Esse é meu poema favorito de "O guardador de rebanhos" de Alberto Caeiro heterônimo de Fernando Pessoa.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
O blog do português
Os dogmas mais nocivos nem sequer são os que como tal foram expressamente enunciados, como é o caso dos dogmas religiosos, porque estes apelam à fé, e a fé não sabe nem pode discutir-se a si mesma. O mal é que se tenha transformado em dogma laico o que, por sua própria natureza, nunca aspirou a tal. Marx, por exemplo, não dogmatizou, mas logo não faltaram pseudo-marxistas para converter O Capital em outra bíblia, trocando o pensamento activo pela glosa estéril ou pela interpretação viciosa. Viu-se o que aconteceu. Um dia, se formos capazes de desfazer-nos dos antigos e férreos moldes, da pele velha que não nos deixou crescer, voltaremos a encontrar-nos com Marx: talvez uma “releitura marxista” do marxismo nos ajude a abrir caminhos mais generosos ao acto de pensar. Que terá que começar por procurar resposta à pergunta fundamental: “Por que penso como penso?” Com outras palavras: “Que é a ideologia?” Parecem perguntas de pouca monta e não creio que haja outras mais importantes…
Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça.
