terça-feira, 10 de novembro de 2009

I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free

Nina Simone


I wish I knew how

It would feel to be free

I wish I could break

All the chains holding me

I wish I could say

All the things that I should say

Say 'em loud say 'em clear

For the whole round world to hear

I wish I could share

All the love that's in my heart

Remove all the bars

That keep us apart

I wish you could know

What it means to be me

Then you'd see and agree

That every man should be free

I wish I could give

All I'm longin' to give

I wish I could live

Like I'm longin' to live

I wish I could do

All the things that I can do

And though I'm’m way over due

I'd’d be starting a new

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aniversário

As coisas andam meio devagar por aqui, mas mesmo assim o blog completou seu primeiro ano de vida na ultima sexta! Então, agora de cara nova, ainda partilhando a minha realidade e irrealidade, vida longa ao Colecionador!

Ps: Espero que os apreciadores da coleção gostem do novo catálogo!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

M, o vampiro de Dusseldorf

Do diretor:

Um dos maiores diretores da história da sétima arte surge sob esse contexto: Fritz Lang. Nascido em Viena em 1876, mudou-se para Munique em 1911 onde estudaria pintura e escultura; casou-se em 1921 com a roteirista Thea Von Harbou e essa parceria rendeu-lhe seus primeiros filmes. Lang é mundialmente conhecido, não apenas por desafiar e não se sujeitar as vontades de Hitler, o que motivou seu exílio nos Estados Unidos. Onde morreu aos 85 anos em 1976. Possui filmes bem inseridos na estética como M, o vampiro de Dusseldorf de 1931 e a trilogia sobre Dr. Mabuse (Dr. Mabuse, o jogador de 1922; O testamento do Dr. Mabuse de 1933 e Os Mil Olhos do Dr. Mabuse, 1960) e filmes futuristas como Metrópolis de 1927, porém é considerado um remanescente, pois a estética expressionista perpassa por toda sua produção.


Do filme:

Sendo um dos primeiros filmes falados a ser produzido no país M, o vampiro de Duseldorf é um marco do cinema alemão. Foi um dos primeiros filmes do expressionismo a não tratar do sobre natural ou da psicanálise e sim de um tema bastante polemico para a época, o infanticídio.

O filme nos mostra, logo de início, uma cidade que está em pânico devido ao desaparecimento de crianças. Percebemos isso na expressão preocupada das mães, no cuidado redobrado com os pequenos e pelos muitos cartazes espalhados na cidade prometendo recompensas a quem fornecer alguma informação sobre o assassino, cuja primeira aparição se dá de uma forma muito particular da estética expressionista, a projeção de sombras. Vemos a sombra de um homem, que sabemos ser o assassino, projetada de forma muito clara tendo como anteparo o cartaz destacando a palavra Mörder - assassino em alemão - o que sintetiza o medo que todos sentem dele, uma sobreposição entre o poder do temido sobre os amedrontados. Associada a essa imagem, ouvimos o assoviar da canção In the Hall of the Mountain King, que será a marca da aparição do assassino por metade da projeção, ao ouvimos a música sabemos que ele está próximo.

Iluminação e fotografia são intensamente exploradas como ferramenta expressiva, com grandes contrastes entre luz e sombra e a criação de perspectivas que nos mostram os sentimentos das personagens, como na cena da escadaria que forma um grande abismo quando a mãe aflita chama a filha que não retornou da escola e que o expectador sabe que nunca voltará. As marcas dessa ausência são reafirmadas pelos planos onde, num grande contraste de luzes, vemos a mãe em prantos na penumbra e o prato iluminado sobre a mesa marcando a ausência da menina, esse novo seqüestro serve como estopim a paranóia da população e polícia.

Os moradores da cidade caem em si, dão-se conta de que o assassino está entre eles e é um deles, por isso passam a acusar-se mutuamente; daí o nome do filme, que vem da palavra Mörder. M, o psicopata encoberto pelo anonimato da cidade, caminhando pelas ruas como um cidadão comum. Porém o assassino sabe de sua doença e entra em contato com os jornais para pedir auxílio, o que fornece alguns indícios para que a polícia consiga, de forma eficiente, sair em seu encalço. As autoridades passam, numa tentativa desesperada, a cercear todas as atividades ilegais, o que causa uma reação de criminosos, pois isso vem atravancando-lhe os “negócios”.

Para resolver o problema os criminosos organizam-se espalhando vigilantes mendigos pela cidade, para espanto do expectador, o assassino é identificado por um mendigo cego que vende balões, que relaciona o assovio da música que ouvira no dia do desaparecimento da ultima vítima. O assassino é seguido pelos vigias a serviço do crime e marcado com a letra M, enquanto andava com sua indefesa próxima vitima e é ela que o alerta sobre homens que o seguem.

Paralelamente, a investigação policial chega à casa do assassino e nesse momento descobrimos que ele é um ex-interno de uma clinica psiquiátrica e também seu nome, Hans Beckert, pois para a polícia sua identidade de cidadão é importante. Porém, ele já está sendo perseguido pelos criminosos e num ato impensado esconde-se no interior de um edifício comercial e é trancado lá após o término do expediente, entretanto os perseguidores aguardaram o momento propício para pegá-lo.

A organização criminosa invade o prédio a procura do homem marcado pelo M, arrombando desde os depósitos de carvão até salas com sofisticados alarmes. Quando o depósito onde Hans se esconde é descoberto, um dos vigias do edifício consegue acionar a polícia que demorará cerca de cinco minutos para chegar, os ladrões sabem disso, então rapidamente arrombam violentamente a ultima porta e levam consigo o assassino. Entretanto esquecem um de seus homens que entrara pelo teto de uma sala e ele será pego pela polícia.

Ponto a ser observado nesse momento da projeção, além da música assoviada pelo assassino não há trilha sonora, todo o clima das cenas é dado apenas pela iluminação, enquadramentos e atuação. Longos takes mudos precedem cenas muito barulhentas. Exemplo disso, a chegada dos ladrões ao prédio e sua saída levando seu prisioneiro se passa sem som e logo após a chegada da polícia ao local é marcada pela volta estrondosa dos sons da sirene; demonstrando o antagonismo entre o trabalho eficiente e silencioso dos criminosos com o estrondoso e de pouco resultado trabalho policial.

O delegado não entende como um lugar com tantos objetos de valor fora vasculhado e nada ser roubado, nesse momento vemos uma das construções mais interessantes do cinema, pois enquanto o inquérito policial nos fala do arrombamento, imagens do mesmo aparecem na tela, sob as páginas do livro de registros. O assaltante que fora esquecido e levado pela polícia é pressionado a contar o porquê de nada ter sido roubado. Depois de muitas ameaças, ele conta ao delegado o que buscavam e levaram do prédio comercial.

Enquanto isso o assassino é levado para uma antiga fábrica onde será julgado por seus crimes, será julgado pela escoria da sociedade: mendigos, prostitutas e outros assassinos decidiram seu destino. O tribunal, com “advogado” de defesa, promotores, “júri” e “juiz” é iniciado e essa cena também é amplamente marcada por contrastes de iluminação e pela atuação singular de Peter Lorre (o assassino). Num praticamente monólogo ele primeiro exige e depois suplica para ser entregue as autoridades, conta sobre sua necessidade de matar e sobre os fantasmas que o assombram, um discurso que transita entre raiva, angústia, desespero e medo, que de forma convincente e comovente nos obriga a considerar sua situação. Entretanto Hans é condenado à morte, pois não conseguem vê-lo como doente ou como um deles, julgam que a única forma de impedir que mais mortes ocorram é matando o assassino. O que é impedido, no ultimo instante, pela chegada da polícia ao local.

A película propõe reflexões que são discutidas ainda hoje, como a eficiência da policia e das instituições que tratam doentes mentais e expõe o medo que a sociedade sente de um de seus produtos, o assassino em série. M, o vampiro de Dusseldorf é um filme singular, perturbador, pois coloca a figura do assassino de forma dialética, assim como as principais características da vanguarda são dialéticas, fazendo aflorar o que há de belo e feio, de claro e escuro inserido em apenas uma concepção de obra de arte.


Bibliografia:

http://www.urutagua.uem.br//010/10silva.htm

http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1


Escrevi esse texto para a faculdade, discutindo um pouco a vanguarda expressionista. Achei que ficou legal, mas nada genial.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Smile

Ouçam SMiLe, um dos melhores da música pop!

3º e 4º dia e conclusões

Vide aqui e aqui, as postagens sobre a viagem. Num geral, a viagem foi bacana para que eu pudesse olhar minha cidade natal com outros olhos e uma postura mais crítica, sem deixar de ver tudo o que há de belo e interessante. Sei que isso parece um pouco raso, mas não cabe aqui as discussões levantadas a respeito.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sobre o segundo dia

Na minha opinião foi um dos melhores!

Fomos a estação da luz, passeamos por lá depois fomos a vila dos ingleses. A vila é um pequeno condomínio fechado próximo a Luz, construído para abrigar os engenheiros que vinham da Europa para trabalhar no país.

Fazendo uma observação, não gosto de olhar a crakolândia com olhar de zoológico, como essas excursões nos fazem sentir:

- Olha gente aqui é a crakolândia, não precisa abraçar a bolsa não! Olhem a segregação socioespacial dessa população...

Antes deles serem qualquer outra coisa são seres humanos, não devem ser observados como uma manada de "população alienada e desfavorecida". Passado esse momento, fomos a Pinacoteca.


A Pinacoteca é um dos lugares mais lindos e legais de São Paulo, ainda mais com a super exposição "Matisse, hoje". A maior do artista já feita no Brasil.


Odalisca com calça vermelha, 1921. (eu adoro a criatividade de quem dá nome as obras.)

A exposição é simplesmente sem palavras, muito válida para quem adora Matisse e para quem nunca teve contato com o trabalho do artista. Além de todo o acervo da Pinacoteca e outras exposições simultâneas a essa.

Ainda fomos a Paulista para observar arquitetura, foi bacana mas também choveu muito.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre o primeiro dia

Minha visão da cidade, no primeiro dia.

Tanta Água
Itamar Assumpção

É tanta água despencando lá do céu
Meu Deus do céu meu Deus do céu
Meu Deus do céu o que que tá acontecendo
É São Pedro que ficou pinel
Com raiva de São Paulo é primavera é primavera
Só que só fica chovendo
São Paulo está tal qual a Torre de Babel é inflação
É vendaval é só papel esperanças vão morrendo
É só quimera e mais quimera mas que merda é não e não
E fel e fel mas que escarcéu que a gente tá vivendo
Não tem mais galo cantando não tem mais nem de manhã
Não vejo o sol que mundaréu que frio que tá fazendo
Garoa neblina sereno formando um véu
Quem me dera ver o céu mas eu só fico querendo
É chuva fina encharcando meu chapéu e o solidéu
E o solidéu e o solidéu daquele padre correndo
É primavera só que escreveu não leu escureceu água desceu
Meu Deus do céu o que que tá acontecendo


Depois de muita chuva, um breve passeio pelo mercado municipal e FAU (cidade universitária), o primeiro dia chegou ao fim com recordes históricos de pluviosidade e muitos pontos de enchentes e alagamentos pela cidade.