sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Caderninho

Comprei o caderninho depois de ter visto meu amigo desenheiro Marcelo Ducatti com um e ter morrido de inveja ter adorado, por isso comprei um igual. No fim das contas acabei por gostar do exercício de levá-lo por aí e rabiscar pelo caminho. Além de anotar algumas pérolas na mesa do bar...

Alguns dos rabiscos, esse do cinema dedicado a Renato Capela, o ex-mestre Pitaqueiro, pois esqueceu-me na porta do cinema.


















quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Genialidade?

Assisti ao filme "Camille Claudel", emprestado pelo meu querido amigo Pitaqueiro. O filme ficou bom, têm cortes, fotografia e figurinos muito bonitos o que lhe rendeu muitos prêmios Cesar e o Urso de Ouro a Isabelle Adjani. O desempenho de Isabelle é impecável, embora ache que seu trabalho fica um pouco arranhado pelo trabalho de maquiagem ineficaz, pois vemos Camille no fim da película com o mesmo rosto angelical dos primeiros minutos, isso desacredita o expectador que durante as quase três horas de projeção passaram-se aproximadamente trinta anos.

Fazendo um apanhado da trama:

Camille demonstrava se tendência a escultura desde tenra idade, seu pai um homem amoroso e culto faz tudo o que pode para alavancar a carreira da filha como escultora. Seu talento foi aperfeiçoado ao longo de sua vida anterior ao sanatório, especialmente durantes os quinze anos em que foi aprendiz e amante de Rodin.

Auguste hesitou muito em abandonar a companheira de longa data por sua jovem e belíssima inspiração, ele não o faz, então Camille o deixa. Entretanto, a jovem escultora vive a sombra da obra de Rodin e a solidão, a falta de reconhecimento e recursos acaba por fazê-la enlouquecer por um processo de paranóia. Ela e seu irmão, o poeta francês Paul Claudel - que eu não sabia, mas é um grande nome da poesia francesa do século XX- eram muito próximos até o romance da jovem com seu mestre e a conversão dele ao catolicismo, sendo assim ele não compreende as fontes da insanidade da irmã e acaba por colocá-la em um asilo durante as ultimas três décadas dela.


O ponto que quero trabalhar não é a relação professor/aprendiz e nem cair no clichê feminista de dizer que o trabalho e talento de Camille foram usurpados por Rodin por ser ele homem, mais velho e famoso e ela mulher, uma vez que isso não procede. Quero trabalhar a questão porque diabos os artistas sofrem tanto, porque a genialidade acaba com o ser?

Já li vários livros que contam a biografia de gênios (em geral artistas plásticos) é quase regra geral: o sofrimento. Derramaram-se sobre seu trabalho e ao fim havia apenas cacos do que eram anteriormente e obras primas como “As conversadeiras” de Camille ou “As Duas Fridas” de Frida Khalo ou os tantos girassóis e “Céu noturno” de Van Gogh. Haverá quem diga que isso é uma manifestação da modernidade, mas não é de todo verdade, pois grandes nomes como Goya e Caravaggio também sofreram essa dilaceração do ser.

Conversando uma vez com o André – o senhor dos Romances Urbanos – acabamos por chegar a um ponto desse enigma, o gênio tem uma percepção muito maior do que a das ditas pessoas comuns, ele sente mais e vê além; isso o faz um estranho em meio aos seus, ele não se adapta e sofre. Entretanto existem entre os comuns os sensíveis, mas não é isso que os torna artistas, como vemos no filme “Interiores” de Woody Allen, na verdade é só mais um efeito tostines, “são gênios porque sofrem, ou sofrem porque são gênios”.

Concluindo, mesmo eu morrendo de ódio e inveja desse povo ainda bem que não sou um gênio, pois como sempre é o egoísmo que nos move, prefiro ser mais leve e com isso mais feliz a sentir e sofrer a dor do artiste e deixar ao mundo uma obra-prima.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dialogos Infames 2

Sai pra dar uma corridinha no fim da tarde eis que uma moça me para e pergunta:

Moça :
- Tem horas?
Eu:
- As horas são uma forma de abstração de um tempo desnaturalizado pelo homem.
Moça :
-Ah?!
Eu:
- O tempo pertence a Deus para os crentes e a ninguém para os ateus, logo, cada um tem o seu. Assim sendo o tempo não pode ser ponderado por ser subjetivo, isso sem levarmos em conta a teoria da relatividade...
Moça :
- Sabe que horas são? preciso pegar o ônibus.
Eu:
-Desculpe, sai pra correr sem relógio.

(fui chata?!)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dialogos infames

Estava eu lutando para respirar e fui ao pronto socorro e a enfermeira me falou assim:
A pressão está 13 por 7, normal. Mas o coração está um pouco acelerado.
Olhei pra ela e respondi:
Deve ser porque estou com dificuldade pra respirar e por isso estou ofegante.
Ela olhou sorriu: É deve ser por isso mesmo.

Porque tenho que pegar fila pra ouvir coisas como essas?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre Saramago

Terminei de ler dois polêmicos livros do meu mais recente herói morto José Saramago, os famigerados O Evangelho Segundo Jesus Cristo e o derradeiro Caim. Ambos recontam, sob a visão do português, os mais populares livros da bíblia os evangelhos e o Genesis, este último que recentemente foi ilustrado por Robert Crumb, mais isso fica pra outro post.

Usemos a ordem cronológica que é sempre mais fácil de ser acompanhada. Sobre o Evangelho, acho que todo mundo crucificou-o por pouca coisa, peço perdão pelo trocadilho, mas quem se escandalizou com ele nem chegou a abri-lo para espiar o que lá havia apenas se ateve ao título. Concordo que algumas coisas que ali estão, chocam: tudo bem a Maria não concebeu virgem, está bem Jesus amasiou com a Maria de Magdala, mas nada disso abala a essência da mensagem que está no novo testamento, pois ainda mostra o cristo que é amor, redenção, fé e luta, porém mais humano.

Por ironia posta por ele ou pelo destino, agora que ele se foi jamais saberemos, o seu livro mais famoso é o mais fraco, possui trechos memoráveis como: a reflexão sobre tempo/memória, a não ressurreição de Lázaro e a conversa entre Deus, o Diabo e Jesus. Porém pareceu-me que após os quarenta dias de reclusão de Jesus no mar, não no deserto, o texto perdeu fôlego e foi meio corrido e sôfrego até o fim.

Em Caim, ainda vemos o mesmo Deus insatisfeito como em O Evangelho, entretanto um Deus mais saramagueano, mal e pérfido. Nesse texto vemos nosso herói fratricida vagar pelos mais significativos acontecimentos do livro de Genesis, excetuando-se o Éden e a expulsão de seus pais de lá; a narrativa percorre um tempo espaço outro em que Caim está em todos os tempos, porém não pertence a nenhum, sempre acompanhado pela figura de Deus que está presente para trazer morte e destruição.

No derradeiro livro, vemos mais uma vez Saramago apedrejar Deus. Nosso velho lusitano nunca entendeu como era possível existir Deus e a dor do mundo, ele a sentia isso é nítido desde seu primeiro romance O Levantado do Chão ou ainda no mais popular Ensaio Sobre a Cegueira. Contudo incutido em seus ideais comunistas e humanitários vemos grandes lições de teologia e amor cristão, coisa que muitos cristãos nunca puderam ou um dia poderão ensinar, ou seja, quem muito julga o ateísmo de Saramago nunca parou para lê-lo e compreende-lo.

Enfim, a morte dele chateou-me muito, porque eu realmente o admirava. Ele sem sombra de dúvida está ao lado de Camões, Pessoa e Gil Vicente no panteão dos escritores lusos, mais um Dom Sebastião que Portugal perdeu.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Foto legal